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By Ferramentas Blog

sábado, 24 de novembro de 2012

Perdas e recomeços

Já é sabido que as coisas duram o tempo que têm que durar e por mais que muitas vezes o término delas nos pareça injusto, desnecessário ou até mesmo fatal, é preciso que aceitemos os rompimentos que a vida nos impõe.

Isso, no entanto, não impede que dentro de nós precisemos de um tempo para digerir as perdas.

Mágoa, tristeza, vazio, angústia, revolta, insegurança, cada um desses sentimentos requer um tempo para que possa se acalmar dentro de nós. Ninguém sai ileso do encerramento de etapas desgastantes da vida e o coração suplica por um espaço para regenerar-se, reconstruir-se.

O gosto amargo que fica na boca, a sensação de fracasso, a tristeza muitas vezes embutida dentro do peito são aflitivas, porém, naturais e fazem parte desse processo doloroso.

É imprescindível que um período de luto seja vivido para que depois voltemos a renascer para a vida. Não me refiro a duras depressões, embora muitas vezes elas sejam inevitáveis, o que desejo pontuar é que todo ser humano quando enfrenta suas perdas tem direito ao silêncio, ao recolhimento e ao respeito por parte de terceiros.

Tantas vezes os "terceiros" na ânsia de ajudar se tornam inconvenientes, insistentes, excessivamente presentes. Falta-lhes a sensibilidade, a compreensão, a delicadeza nas palavras, o apoio na medida certa.

Ninguém se recupera de um tombo correndo em maratonas, isso seria forçar demais a natureza. Um tombo sempre gera feridas e que sejam superficiais ou profundas, não importa, elas precisam ser tratadas até cicatrizarem.

Caso você esteja com feridas ou até mesmo fraturas expostas, cuide delas com carinho, sem pressa, sem ansiedades e tenha a certeza que você vai se recuperar, o tempo é o grande remédio para isso.

Caso você esteja próximo de uma pessoa que está vivendo essa situação ofereça- lhe medicamentos capazes de ajudá-la a se curar. Respeito, confiança, companhia dentro de limites, força e tente guiá-la até o caminho da fé pois nesses momentos as pessoas tendem a se distanciar dela.

E tenha uma certeza, um sorriso sincero valerá bem mais que uma gargalhada espalhafatosa, uma única palavra pode ser mais valiosa do que horas de uma conversa fútil e um afago terá um valor imensurável.

As perdas que vamos tendo no decorrer da nossa efêmera existência na verdade não são perdas, elas existem apenas para que tudo que já se encontra com o prazo de validade vencido dentro da nossa vida seja removido a fim de dar espaço a novos recomeços.

Silvana Duboc

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Você ...

"Você é aquilo que ninguém vê. 
Uma coleção de histórias, memórias, 
dores, delícias, pecados, bondades, 
tragédias , sucessos, sentimentos 
e pensamentos. 

Se definir é se limitar, você é um 
eterno parêntese em aberto ... 
Enquanto sua eternidade durar." 

Machado de Assis

sábado, 17 de novembro de 2012

O lado escuro da lua

Fala pessoal belezinha?

Tenho estado atarefado estes dias, mas não consigo deixar de postar alguma coisa para vocês. Hoje vendo um programa de TV, me deparei com essa canção que possui uma letra sensacional e por consequência me identifiquei demais.

Assim sendo, segue mais um pedacinho de um fragmento meu para você ... decifra-me:

O lado escuro da lua
Capital Inicial


Sempre tem alguma coisa errada,
Às vezes o que sobra é o que nos falta.

Algo que não vemos, não sentimos.
Tudo que não temos, mas nós fingimos.

Eu quase fiz o que eu queria,
Eu quase tive algo que eu podia.

De novo esse quase, esse sempre, esse nada.
Comigo nessa longa e tortuosa estrada.

Correndo como um louco,
Falta sempre muito pouco ...
Pra se perder a razão.

De olhos fechados

No meio da sua rua
Sonhando acordado
No lado escuro da lua.

Copo meio cheio, copo meio vazio.
O corpo só esquenta quando o ar é frio.

Não quero me lembrar que não faz sentido.
Nem me arrepender de não ter vivido.

A vida é longa, a vida é curta.
Quando todos falam e ninguém me escuta.

Cegos que não sabem para onde vão,
Aqui está mais um nessa multidão.

Correndo como um louco,
Falta sempre muito pouco ...
Pra se perder a razão.

De olhos fechados
No meio da sua rua
Sonhando acordado
No lado escuro da lua

Eu tinha sede, me deram gasolina.
Não peço nada, me dão menos ainda.

Acho que não entendi direito,
A perfeição do imperfeito.

Eu me queixo
Eu me arrependo
Eu me revolto
Eu me rendo

Querendo o que não podia ter sido.
Ser feito de aço e não de vidro.

Correndo como um louco.
Falta sempre muito pouco ...
Pra se perder a razão.

De olhos fechados
No meio da sua rua
Sonhando acordado
No lado escuro da lua

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Milagre

Milagre é quando tudo conspira contra, mas Deus vem de mansinho e com um sopro leve muda o rumo dos ventos. 

Milagre é quando o incerto nos abraça depois de nos atingir cruelmente com sua fúria.

É quando respirar vira quase um suspiro de alívio e a vida devolve o sorriso como forma de retribuição por todo sofrimento. 

É o instante teimoso que resiste bravamente a um duro percurso e mantém-se em pé amparado pela força divina. 

É a decisão que escapa de nossas mãos, mas que antes de cair agarra-se com toda força a uma segunda chance. 

Milagre é o improvável gesto de carinho que impulsiona o ser humano a não deixar de acreditar.

Fernanda Gaona

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Ainda bem ...

Ainda bem, que você vive comigo. Porque senão, como seria esta vida?

Sei lá, sei lá ...

Nos dias frios, em que nós estamos juntos. Nos abraçamos, sob o nosso conforto, de amar, de amar.

Se a dois, tudo fica mais fácil, seu rosto silencia e faz parar. As flores que me manda são fato, do nosso cuidado e entrega.

Meus beijos sem os seus não dariam, os dias chegariam sem paixão. Meu corpo sem o seu, uma parte. Seria o acaso e não sorte.

Neste mundo, de tantos anos entre tantos outros:

- Que sorte a nossa, hein?

Entre tantas paixões ... esse encontro, nós dois - esse amor!

Vanessa da Mata

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Aprendendo nas quedas

Por que será que nos lamentamos tanto quando nos decepcionamos, perdemos e erramos? 

O mundo não acaba quando nos enganamos; ele muda, talvez, de direção. Mas precisamos tirar partido dos nossos erros. Por que tudo teria que ser correto, coerente, sem falhas? As quedas fazem parte da vida e do nosso aprendizado dela. 

Que dói, dói. Ah! Isso não posso negar! 

Dói no orgulho, principalmente. E quanto mais gente envolvida, mais nosso orgulho dói. Portanto, o humilhante não é cair, mas permanecer no chão enquanto a vida continua seu curso.

O problema é que julgamos o mundo segundo nossa própria maneira de olhar e nos esquecemos que existem milhões e milhões de olhares diferentes do nosso.

Mas não está obrigatoriamente errado quem pensa diferente da gente só porque pensa diferente. E nem obrigatoriamente certo. Todo mundo é livre de ver e tirar suas próprias conclusões sobre a vida e sobre o mundo. Às vezes acertamos, outras erramos. E somos normais assim.

Então, numa discussão, numa briga, pare um segundo e pense: "E se eu estiver errado?" 

É uma possibilidade na qual raramente queremos pensar. Nosso "eu" nos cega muitas vezes. Nosso ciúme, nosso orgulho e até, por que não, nosso amor. Não vemos o lado do outro e nem queremos ver. E somos assim, muitas vezes injustos tanto com o outro quanto com a gente mesmo, já que nos recusamos a oportunidade de aprender alguma coisa com alguém.

E é por que tanta gente se mantém nessa posição que existem desavenças, guerras, separações. Ninguém cede e as pessoas acabam ficando sozinhas.

E de que adianta ter sempre razão, saber de tudo, se no fim o que nos resta é a solidão? Vida é partilha. E não há partilha sem humildade, sem generosidade, sem amor no coração. 

Na escola, só aprendemos porque somos conscientes de que estamos lá porque não sabemos ainda; na vida é exatamente a mesma coisa. Se nos fecharmos - se fecharmos nossa alma e nosso coração - nada vai entrar. E será que conseguiremos nos bastar a nós mesmos?

Eu duvido!

Não andamos em cordas bambas o tempo todo, mas às vezes é o único meio de atravessar. Somos bem mais resistentes do que julgamos; a própria vida nos ensina a sobreviver, viver sobre tudo e sobretudo.

Nunca duvide do seu poder de sobrevivência! Se você duvida, cai. Aprenda com o apóstolo Pedro que, enquanto acreditou, andou sobre o mar, mas começou a afundar quando sentiu medo. 

Então, afundar ou andar sobre as águas? Depende de nós, depende de cada um em particular. Podemos nos unir em força na oração para ajudar alguém, mas só esse alguém pode decidir a ter fé, força e coragem para continuar essa maravilhosa jornada da vida.

Letícia Thompson

domingo, 4 de novembro de 2012

Abençoadas ...

Abençoadas sejam as surpresas risonhas do caminho.

As belezas que se mostram sem fazer suspense.
 
As afeições compartilhadas sem esforço.

As vezes em que a vida nos tira pra dançar sem nos dar tempo de recusar o convite.

As maravilhas todas da natureza, sempre surpreendentes, à espera da nossa entrega apreciativa.
 
A compreensão que floresce, clara e mansa, quando os olhos que veem são da bondade.
 
Abençoados sejam os presentes fáceis de serem abertos. Os encantos que desnudam o erotismo da alma.
 
Os momentos felizes que passam longe das catracas da expectativa.

Os improvisos bons que desmancham o penteado arrumadinho dos roteiros da gente. 

Os diálogos que acontecem no idioma pátrio do coração.

Abençoada seja a leveza, meu Deus.

Abençoadas sejam as dádivas generosas que vêm nos lembrar que viver pode ser mais fácil.

Que amar e ser amado pode ser mais fluido.

Que dá pra sair da frequência da escassez e sintonizar a estação da disponibilidade, onde alegrias já cantam, mas a gente não ouve.

Abençoadas sejam as dádivas que vêm nos lembrar, com alívio, que há lugares de descanso para os nossos cansaços.

Que há lugares de afrouxamento para os nossos apertos. Que dá pra mudar o foco.

Que não é tão complicado assim saborear a graça possível que mora em cada instante.

Abençoadas sejam as dádivas generosas que nos surpreendem.

Elas não sabem o quanto às vezes, tantas vezes, nos salvam de nós mesmos.

Ana Jácomo

sábado, 3 de novembro de 2012

E se eu morresse hoje?

Fala pessoal, belezinha?

Não se assustem com o título da postagem, no entanto, não deixa de ser uma válida reflexão.

Hoje fazem 17 anos que ela se foi. Puxa ... tanto tempo que não recebo um carinho dela, que não "roubo" um pouquinho do seu colo, que não mexo em seus cabelos, não olho em seus olhos e não ouço sua voz. Fazem 17 anos que você partiu e ainda sinto um nó gigantesco no peito que certamente não desatará, passe o tempo que for. Sinto muito sua falta, Dona Tuta. (chorando muito agora)

E esse imenso vazio que trago no peito me fez refletir no quão importantes podemos ser para alguém! Se eu morresse hoje, quem de fato choraria minha ausência, digamos daqui a 17 anos no futuro, assim como faço agora ao lembrar de minha avó?

Pela lógica, primariamente muitos chorariam ou até mesmo colocariam textos bíblicos ou frases do Caio Fernando na legenda de algumas fotos minhas, sei lá.

Mas e aí? O que ficaria realmente meu?

Será aquele cheiro do perfume que uso? Que quando alguém que me conheceu vai reconhecê-lo em outra pessoa e esse alguém vai parar quando sentir ... e o seu peito vai doer de tanta saudade, mas tanta saudade, que lembrará de momentos que só viveu ao meu lado?

Será que esse alguém, neste momento irá lembrar do meu abraço sincero, de reler as mensagens que um dia enviei, da minha paixão por filmes antigos, da minha gargalhada, aquela que eu coloco a mão na boca para parecer discreto mas acaba fazendo mais barulho. Será que se lembrará da minha paixão por cozinhar, da minha música preferida, das minhas chatices, do significado da minha amizade e até mesmo do meu amor?

Talvez por um bom tempo, as pessoas mais próximas se lembrariam que eu gostava de escrever neste blog, que eu amava cappuccino, que ouvia muito Coldplay, que conversava sobre tudo, que eu conseguia fazer as pessoas rirem tanto, apenas com uma frase ou palavra.

Será que tudo isso aconteceria, por que alguém sentiu o cheiro do meu perfume em alguma pessoa que passou por ela apressadamente na rua?

Apenas um cheiro pode desencadear tanta coisa, tantas lembranças. O cheiro que fez sua vida perceber que é incompleta, e vai ser pro resto da vida, pois jamais irá existir alguém igual.

Lembro que fiquei um longo tempo com uma velha blusa da minha avó, quando a dor da falta parecia insuportável, eu a cheirava porque ela transmitia uma paz imensa.

Saudade intensa hoje de você: Dona Tuta!

Tanta que me lembrei daquela canção do Legião urbana na música "Love in the afternoon", essa música fala de despedidas e tem uma parte dela que se encaixa bem neste momento do texto: 

"Eu continuo aqui, com meu trabalho e meus amigos ... e me lembro de você em dias assim ... dia de chuva, dia de sol ... e o que sinto não sei dizer."

Minha avó deixou diversas lembranças em mim e seguramente foi a pessoa que mais me amou neste mundo. Se chamava Débora, mas a apelidaram ainda muito cedo de Tuta. Ela foi uma mulher incrivelmente feliz, era elegante, amável, solidária e muito inteligente apesar de somente saber escrever o seu nome, mas o mais importante ... tive a oportunidade única de viver com ela nos meus 10 primeiros anos de vida e se hoje sou o que sou, devo muito a ela.

Será que daqui alguns anos, meus netos dirão: “Eu tive o melhor avô do mundo!”? Será que alguém se lembrará de mim com um similar aperto no peito, mesmo depois de alguns anos depois que eu partir? 

Se eu morresse hoje, gostaria de deixar algo em meu modo de vida ou em alguma coisa que disse ou fiz, que motivasse alguém tão especialmente neste sentido.

Por isso me esforço pra dar o melhor de mim em vida para que, em morte, todos se lembrem que eu sorri, que eu amei, que eu vivi.