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By Ferramentas Blog

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Olá ...

Que a cada manhã a sua coragem acorde bem juntinho de você, sorria pra você, e o convide para viverem uma história toda nova, apesar do cenário aparentemente costumeiro. Que tenha saúde no corpo, saúde na alma, saúde à beça.

Ana Jácomo

domingo, 23 de dezembro de 2012

Viver sem tempos mortos

Fala pessoal, belezinha?

Hoje vou postar um trecho da peça "Viver sem tempos mortos", obra inspirada na correspondência de Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, com Fernanda Montenegro, achei o texto incrível ... aprecie sem moderação:

VIVER SEM TEMPOS MORTOS

A impressão que eu tenho é de não ter envelhecido, embora eu esteja instalada na velhice.

O tempo é irrealizável. Provisoriamente, o tempo parou pra mim ... provisoriamente!

Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro. 

O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo.

Que espaço o meu passado deixa pra minha liberdade hoje? Não sou escrava dele. O que eu sempre quis foi comunicar da maneira mais direta o sabor da minha vida, unicamente o sabor da minha vida.

Acho que eu consegui fazê-lo; vivi num mundo de homens guardando em mim o melhor da minha feminilidade. Não desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

E o mundo não se acabou ...

Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...

E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...

Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando
De aproveitar...

Beijei a bôca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Dancei um samba
Em traje de maiô
E o tal do mundo
Não se acabou...

Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...

E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...

Chamei um gajo
Com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele
Mais de quinhentão...

Agora eu soube
Que o gajo anda
Dizendo coisa
Que não se passou
E, vai ter barulho
E vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou...

Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...

E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...

Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando
De aproveitar...

Beijei a bôca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Dancei um samba
Em traje de maiô
E o tal do mundo
Não se acabou...

Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar...

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Estranhos, amigos ... "amigos-estranhos"!

Fala pessoal, belezinha?

Sem dúvida, amigos são pessoas que vamos perdendo ao longo da vida. Encontramos vários, nos apegamos a alguns e, a certa altura, somos forçados a colocar o prefixo "ex" antes do nome daquele que enchia nosso coração de carinho, admiração e certeza. 

São várias as causas envolvidas na perda de uma amizade, mas perder um amigo para a vida, e não por uma fatalidade, é uma dor dilacerante. 

Eu sou do tipo que acredita que amizade é para sempre, por isso algumas vezes pago o preço por constatar que o amigo na relação era somente eu. Gosto de pensar em ter amigos de anos, e na velhice relembrarmos estórias, momentos ou situações vividas e junto deles festejar anos de cumplicidade, parceria e de verdadeira amizade, afinal, os amigos são a família que a vida nos permitiu escolher.

Mas na prática as coisas não funcionam bem assim, a vida não é feita somente de alegrias, encantos ou satisfações, temos de conviver com seus antônimos também, ou seja: desgostos, desapontamentos e decepções. Sim, a vida tem muitas decepções neste campo.

A primeira vez em que eu tive que tornar um amigo em ex-amigo, senti uma dor que acabou demais comigo, até porque fiquei incrédulo em primeiro momento, por não entender as razões. Chorei por um tempo, me fechei por outro e senti dificuldade em acreditar novamente na beleza, simplicidade e nas diversas nuances de uma amizade.

Mas, nada melhor que o tempo ... sei que quem saiu perdendo não fui eu, pelo contrário. 

Com o tempo, optei por deixar a amargura de lado e seguir em frente, ainda com esperança de que aquela dor eu não sentiria mais. Novas amizades surgiram como também outras se foram, mas como gato escaldado só me importei de verdade com as que permaneceram e não senti aquela dor de novo, não daquele jeito. Mas vez por outra, outras dores apareceram pra mostrar que a vida é assim mesmo, por mais que a gente se pergunte se já não teve a nossa cota.

Semana passada, nos reunimos para um lanche na casa de uma grande amiga que esteve comigo em momentos muito delicados que vivi em 2011, ela foi uma das poucas pessoas que persistiram em ficar por perto num momento que eu desejava me isolar do mundo. Amigos são assim ... não somente para os momentos de festa, mas principalmente nos momentos tempestuosos que todos vivemos um momento ou outro na vida.

Acontece que na mesma ocasião, foi convidado um "ex amigo", situação pra lá de chata. Lendo o blog do Filipe, me identifiquei com as situações ali descritas, estávamos na mesma sala com poucas pessoas, nos falamos o mínimo numa conversa cruzada com a anfitriã. Foi surreal ... um do lado do outro sem dizer nenhuma palavra, fora o constrangimento recíproco. Estávamos frente a frente e parecia que existia uma distância quilométrica sem precedentes. Sem nenhuma afinidade, sem nenhuma graça ... mas finalmente a noite acabou e cada um foi para o seu canto.

Sempre penso que a maioria dos meus amigos faria por mim, o que eu faria por eles ... o mínimo é estar ao lado quando mais precisam e não esquecidos a própria sorte.

Mas, o melhor de tudo é que dor ensina. 

E depois que a gente sente uma que parte o coração em mil pedacinhos, aprende a relativizar as outras. E, melhor ainda, renova o olhar diante dos amigos de sempre, aqueles por quem a gente sente todo o amor do mundo e em quem temos a sorte de encontrar reciprocidade.

Em suma, chego a conclusão que em matéria de amizade, a vida é muito estranha ... um dia você vai estar rodeado de estranhos, esses estranhos com o tempo e empenho mútuo irão se tornar seus amigos, talvez até mais que simples amigos, e depois de algum tempo, alguns voltam a se tornar estranhos, de uma forma que você nem imagina.