sábado, 8 de abril de 2017

O medo da escolha em tempos de excesso

Quantas oportunidades você já deixou para trás enquanto adiava uma decisão? Desde pequenos somos ensinados sobre a importância de fazer boas escolhas, afinal, são elas que determinam os nossos próximos passos, que abrem caminhos, que projetam o futuro. Viver é ter que escolher o tempo todo.

Às vezes acho que fazer escolhas já foi uma tarefa mais simples. Antigamente existiam menos opções em relação a tudo, logo, as pessoas se sentiam satisfeitas com menos também. Hoje, tomar decisões se tornou um assunto bem mais complexo. Devido ao excesso de informações e possibilidades que a vida moderna nos oferece, é cada vez mais comum nos sentirmos sufocados, indecisos e confusos. A clareza se perde no meio de tantas alternativas e o medo de fazer escolhas erradas nos paralisa.

Com isso, muitas vezes, passamos a inventar desculpas e criar obstáculos que nos impedem de tomar decisões importantes e de realizar determinadas tarefas. Deixamos aquilo que nos parece mais difícil e complicado para depois, e nos distraímos com outras atividades que trazem gratificação instantânea, porém passageira.

Em seguida, nos sentimos frustrados, improdutivos e com baixa autoestima por não termos realizado o que era realmente importante naquele momento. De certa forma, “deixar para depois” também é uma escolha, mesmo que inconsciente. A procrastinação é um mal que vem assombrando a maioria de nós. Adiar responsabilidades e compromissos é como pisar em uma areia movediça, onde nos afundamos cada vez mais. Para sair dela é preciso acabar com a estagnação, enfrentar o medo que nos limita e ouvir a nossa voz interior com mais coragem e menos autojulgamento.

Gosto de uma frase que diz: "Toda escolha requer ousadia." 

Que as nossas decisões, então, sejam feitas de forma consciente, segura e com uma dose de atrevimento. Erros e acertos fazem parte do caminho e isso deve ser encarado com mais naturalidade e leveza. Penso que só assim saberemos enxergar, com mais nitidez, as boas oportunidades que a vida tem para nos oferecer. 

- Cláudia Zalaquett

segunda-feira, 13 de março de 2017

Noticias

Fala pessoal, belezinha?

Andei sumido do pedaço, peço desculpas. Nos últimos meses ocorreram diversas mudanças em minha vida, a maior delas foi ter mudado de cidade; estou vivendo em Indaiatuba, interior do estado de São Paulo. 

Não conhecemos ainda ninguém, mas confesso que era esse o objetivo: recomeçar do zero!

A foto acima, para quem ainda não teve o prazer de conhecer é do Parque Ecológico da cidade, onde vivo praticamente ao lado. Pela manhã, levo a minha filha ao colégio e no retorno aproveito para caminhar e respirar um ar mais puro. Pensei que fosse estranhar um pouco, mas a adaptação foi automática.

Além disso, consegui uma bolsa para cursar Pedagogia e pretendo iniciar ainda no segundo semestre deste ano, outro antigo sonho que estou buscando realizar. Tenho sentido muita falta do meu espaço aqui, jamais esqueço de vocês, mesmo que não comentem tanto quanto eu gostaria, mas sei que continuam me visitando

Deixei para trás, 43 anos de estórias regadas de bons e maus momentos. Guarulhos foi onde eu fui cresci, amei e fui amado, sempre fará parte de mim, do que eu sou! Mas, como diz uma amiga minha: "Figurinha repetida, não completa álbum! "

Decidi me permitir viver, idealizar e acreditar novamente ... e que venha o novo! 

sábado, 31 de dezembro de 2016

Ano Novo


Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Há coragem naquele que perdoa!

O perdão é algo que mexe com qualquer um, vai além da esperança daquele que perdoa e da ansiedade daquele que tanto o deseja. Perdoar é “abrir mão, deixar ir embora”, é quando deixamos de guardar ressentimento, mágoa e tudo aquilo que nos pesa. É 'deixar ir' as chateações, dores e prejuízos que tivemos. 

Só consigo enxergar coragem nessas ações, pois perdoar dói! É cair na intensidade da ‘questão’ (numa conversa, lembrança ou pensamentos), e depois saber ressignificar. Precisamos estar dispostos a passar por uma fase turbulenta até chegar à calmaria para - somente então - seguirmos em paz!

Haja angústia e palavras engasgadas para aqueles que não se sentem livre de alma e não enxergam a possibilidade de “abrir mão”. 
Não é fingir que nada aconteceu, mas ter certeza que esse acontecimento te proporcionou novos sentidos, que através dele conheceu a leveza que é capaz de transmitir e as lágrimas que foi capaz de suportar. 
Perdoar ou ser perdoado me remete a uma nova chance, recomeço e novas possibilidades de ser uma pessoa melhor. É algo que vem de dentro - vem de mim - para somente depois, atingir o outro.

Quando a gente perdoa ou é perdoado, até a nossa saúde melhora! É flo(rir) depois da tempestade!

- Thalita Souza

sábado, 29 de outubro de 2016

Nunca se detenha

"Enquanto estiver vivo, sinta-se vivo.

Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo.

Não viva de fotografias amareladas...

Continue, quando todos esperam que desistas.

Não deixe que enferruje o ferro que existe em você.

Faça com que em vez de pena tenham respeito por você.

Quando não conseguir correr através dos anos, trote.

Quando não conseguir trotar, caminhe.

Quando não conseguir caminhar, use uma bengala.

Mas nunca se detenha".

- Madre Teresa de Calcutá

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Overdose

Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse: - “ai meu Deus, que história mais engraçada!”.

E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. 

Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria: - “mas essa história é mesmo muito engraçada!”.

Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. 

O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.

Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse - e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aqueles pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse “por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!” . 

E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.

E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago - mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: 

- “Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina”.

E quando todos me perguntassem: - “mas de onde é que você tirou essa história?” - eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: “Ontem ouvi um sujeito contar uma história…”.

E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.”

- Rubem Braga