segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Saudade

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, Dói morder a língua, Dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade!

Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade de um filho que estuda fora. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Doem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos abraços. Saudade da presença, e até da ausência consentida.


Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.

Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.

Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.

Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, Ou quando alguém ou algo não deixa que esse amor siga, Ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é basicamente não saber!

Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio. Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. Não saber se ela ainda usa aquela saia. Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada; se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial; se ela aprendeu a estacionar entre dois carros; se ele continua preferindo Malzebier; se ela continua preferindo suco; se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados; se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor; se ele continua cantando tão bem; se ela continua detestando o MC Donald's; se ele continua amando; se ela continua a chorar até nas comédias.

Saudade é não saber mesmo!

Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos; não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento; não saber como frear as lágrimas diante de uma música; não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso ... É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.

Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer!

Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...

(Miguel Falabella)

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Dona Tuta ...

Ô saudade muitas vezes doída ... Pra quem acompanhou meu blog anterior sabe quem é Dona Tuta. Ela foi a pessoa que teve grande influência em minha vida, até hoje em dia por sinal! Ela faleceu em Novembro de 1995 e foi sem dúvida, minha base e meu porto seguro quando mais necessitava. Fui viver com ela ainda nenén, pois minha mãe precisava trabalhar e estava formando uma nova família. Até os 10 anos estivemos unidos, colados! Foram anos muito bem vividos, com ela aprendi a ter gosto pela leitura. Viajava nas estórias que ela contava pra nós (netos), de sua vida e dos "causos" do interior. Já idosa ainda se referia à seus pais como: Papai e Mamãe. Esse modo respeitoso me serviu de exemplo forte! Ela tinha uma grande preocupação: não conseguir me ver crescer e conseguir alguém pra cuidar de mim. Quando ela se foi, Dora já havia aparecido e ganhou seu coração instantâneamente. Ainda hoje me lembro das noites de verão, quando colocávamos um colchão do lado de fora da casa e olhávamos estrelas juntos. Nem bem sentava e eu já pedia: Vó, conta um "causo"? (suspiro!)
Hoje lendo a continuação da estória "Caminhando" do meu amigo e irmão Gibson de Recife, me perdi em pensamentos e imaginando como será no Novo Mundo quando voltarmos a rever nossos entes queridos falecidos. (Atos 5:28,29) Será maravilhoso para se dizer o mínimo. Até hoje quando me bate aquela saudade, passo na rua onde ela morava. Ali onde existia uma casa cheia de vida, hoje um esqueleto da maravilha que foi viver naquele lugar, os melhores anos de minha infância.
Com seu abraço, seu beijo e seu carinho aprendi a ser o homem que hoje sou. Aprendi com seu sorriso, suas palavras e gestos a amar, a dar uma segunda oportunidade, a aprender com meus erros e seguir em frente. Ela saiu de cena bem, logo chegaria a caducar e isso a deixava preocupadíssima. Morreu próximo à mim, no cômodo ao lado. A herança que me deixou ? Alem de tudo que mencionei, no hospital me entregaram os pertences dela e entre eles a sua aliança que hoje é minha e de minha esposa, pois a dividi em duas.
Persistir neste sistema de coisas é imperativo pois Jeová deve ser louvado em toda a terra futuramente e de modo único. Neste tempo Jeová abrirá a sua mão e satisfará o desejo de toda coisa vivente. Mas servir a Jeová não deve ter um enfoque interesseiro em coisas vindouras, pois essas serão consequências boas de nosso proceder correto. Aguardo o dia em que algo como a morte serão coisas do passado. Você perdeu alguém também? Confie Naquele que tem o poder de trazer de volta à vida a tais. Estude, aprenda e conheça mais profundamente o dador de sua vida e o que ele pode fazer no futuro por aqueles que lhe são leais.
Sei que reencontrarei Dona Tuta futuramente, pois o Deus que não pode mentir prometeu isso. E por ser um Deus e Pai tão compassivo e tão maravilhoso irei persistir e insistir até que chegue o dia!
Bom final de semana à todos !

Pode comentar ... eu deixo !

Oi pessoas ... atualizei as configurações para os comentários. Fiquem à vontade para comentar, mesmo que não tenha um blogspot. Comente como anônimo mesmo e se quiser no final, mencione seu nome e em que cidade vive. Um grande e excelente final de semana procês!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O Mágico de OZ

As lembranças mais remotas que guardo da infância aparecem como flashes na memória, como se o momento lembrado fosse um sonho, algo que acontecera com alguém muito parecido comigo. Essa sensação é fruto das mudanças que passamos e que fazem, gradativamente, com que nos distanciemos da criança que fomos um dia. Talvez por essa razão assistir a “O Mágico de Oz” seja tão reconfortante! Na Segunda-Feira (22/09), tive essa oportunidade, passou no canal TCM.
O filme (datado de 1939 e assistido por mim de maneira freqüente durante a infância) une, em sua 1h30min de duração, o necessário para marcar a vida de crianças de todas as épocas: magia, diversão, encantamento, personagens carismáticos e uma história bela e cativante. Impossível não se deixar tocar pela mensagem de valorização ao lar e àqueles que nos amam.

Assistir a “O Mágico de Oz” é como um retorno à ingenuidade da infância. Nele podemos identificar a realidade fantástica tão explorada pelos filmes infantis hoje em dia. O cenário é de um mundo de sonhos. Os personagens também. Parece que nós também somos amigos do Espantalho, que podemos contar com o Homem de Lata ou que somos capazes de seguir a estrada de tijolos amarelos. A estrada que, à primeira vista parecia bela e agradável, também tem seus percalços, aos quais Dorothy consegue superar, a medida que vai encontrando seus novos amigos e se tornando confiante. Seu objetivo era voltar para seu lar e ela pretendia fazê-lo, superando os obstáculos do caminho, indo ao encontro do Mágico de Oz que, segundo os habitantes, seria capaz de lhe ajudar a voltar para casa.

A valorização de sua casa e de seus familiares não é por acaso. Afinal, Dorothy os abandonara, fugindo, para impedir que Totó (seu cachorrinho) fosse sacrificado por ter, supostamente, atacado uma vizinha. A sua chegada a Oz se deu por este abandono. Arrependida, voltou correndo para casa, mas seus tios estavam abrigados (e preocupadíssimos com ela) do tufão. Entrando em casa e percebendo que estava vazia, Dorothy bate a cabeça e desmaia, sendo levada (juntamente com a casa) pelo tufão que assolou o Kansas para o mundo mágico de Oz.

O filme permanece vivo, ignorando a passagem dos anos. E seu valor aumenta, tendo em vista que os filmes infantis, que passam mensagens de amor e que, de certa forma, ajudam a moldar a personalidade das crianças, são cada vez mais raros. Hoje vemos as crianças entretidas com desenhos animados que mais destacam cenas de luta e guerra do que, propriamente, os valores essenciais para auxiliar a moldar o caráter. Pois bem se sabe que os filmes ajudam, e muito, no desenvolvimento e assimilação de certos valores, assim como os livros também o fazem. Alguns destes valores essenciais estão presentes em “O Mágico de Oz”. Um filme para todas as idades, pois é capaz tanto de encantar crianças quanto resgatar a criança que um dia fomos. Sem dúvida, um filme eterno.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Somewhere Over the Rainbow

Em algum lugar além do arco-íris
Àcima das montanhas,

Há uma terra que eu ouvi falar
Uma vez em uma canção de ninar.

Em algum lugar do arco íris onde pássaros azuis voam, onde o céu é azul e os sonhos que você ousa sonhar realmente tornam-se realidade.
Um dia eu quis alcançar uma estrela e acordei onde as nuvens estão longe atrás de mim.
Onde problemas se derretem como balas de limão.

No lugar acima do topo das chaminés é onde você me achará!

Em algum lugar além do arco-íris, pássaros azuis voam e os sonhos que você ousa sonhar se realizam.

Oh, por quê? Por que eu não posso? Por que eles e eu não posso?

Bom, eu vejo àrvores verdes e rosas vermelhas também. Vou prestar atenção neles florescendo, por mim e por você. E eu penso comigo mesmo: "Que mundo maravilhoso."

Então se os pequenos pássaros azuis voam além do arco-íris, Por que eu não posso?

Bom, eu vejo o azul dos céus e o branco das nuvens e a claridade do dia. E eu penso comigo mesmo: "Que mundo maravilhoso."

As cores do arco-iris tão lindas no céu, também estão também nas faces das pessoas que passam perto. Eu vejo amigos agitando as mãos dizendo como você faz. Eles estão realmente dizendo eu... Eu amo você!

Eu ouço bebês chorar, eu os vejo crescer! Eles vão aprender muito mais do que eles sabem. E eu penso comigo mesmo: "Que mundo maravilhoso."

"Esta canção é muito linda, fala sobre sonhos, desejos e de um lugar mágico além do Arco-ìris como você pôde observar. Ela me faz refletir no futuro! Nas coisas que virão e num tempo em que coisas como o ódio, crime, guerras, violência e morte serão coisas do passado. Que continuemos a perseverar e a nos manter íntegros ao passo que aguardamos esse tempo tão desejado. Um tempo em que nossa principal preocupação será em servir ao ùnico Deus verdadeiro por toda a eternidade."

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Olha eu falando de amizade novamente!

“Eu quero ter um milhão de amigos”, já dizia o verso de uma música de Roberto e Erasmo Carlos lá nos idos dos anos 70. Mas será que isso é possível? Não sei. Só sei que tal vaidade anda na mente de muitos de nós.

Afinal, nós - seres humanos - temos essa pretensão de ser os mais populares, conhecidos e queridos. Queremos a cada lugar que chegamos ter alguém para chamar de amigo. Nada mais normal. Mas normal também seria nos perguntar a quantas anda a qualidade das nossas amizades. Temos amigos de verdade ou vivemos uma banalização da palavra amigo, que agora pode ser usada até para o cara em que nos esbarramos na esquina?

Pensar nisso é um grande desafio, principalmente em tempos de Orkut, MSN e similares, onde "se faz amigos" na agilidade de um click. Pense nisso comigo: Amigos existem de todas as formas, é verdade: amigos de farra; de estudos; de trabalho; de academia; amigos de praça; de conversa no bar; de fila no banco; de ponto de ônibus.

E existem também os amigos para essas e todas as outras horas. São os que estão para o que der e vier. São aqueles amigos, de fato, grandes e verdadeiros. Esses são raros! Não são do tipo que se encontra em qualquer esquina. Existem poucos no mercado e encontrá-los é uma dádiva. São amigos em que se pode confiar e com os quais compartilhamos intimidades, sonhos, inseguranças, medos, planos e coisas diversas. São amigos de riso, de choro, de broncas, de grito, de olhar. São amigos aos quais muitas vezes não é preciso dizer nada para que eles entendam tudo. São amigos que ligam, que torcem, que vibram por você, mesmo que distantes. São amigos que vão além de afinidades momentâneas ou interesses parecidos, pois amizade, se for verdadeira, existe até entre pessoas totalmente diferentes. São amigos que não usam o MSN para buscar novos amigos, mas para saber dos antigos, quando o tempo está apertado e vê-los pessoalmente é difícil. São amigos que entendem, se compreendem e se ajudam. São amigos de intensidade garantida. São amigos que não mostram o caminho, seguem juntos na estrada. São amigos que incentivam, apóiam, aconselham. São amigos com os quais não é preciso estar todo o tempo do mundo para se demonstrar respeito e admiração. São amigos que erram porque também são humanos. São amigos que não têm a pretensão de serem os melhores do mundo, mas os melhores que podem ser. São amigos cujos defeitos não são negados, mas que se considera pequenos diante do sentimento sincero. São amigos com os quais é possível, simplesmente, se permitir.

E quer saber de uma coisa? Não é preciso que eles correspondam sempre e invariavelmente às nossas expectativas ou atendam a todos esse pré-requisitos anteriores. Amigos não são feitos de matéria angelical nem têm que ser perfeitos e certinhos E entender isso já mostra que se pode ser ou ter um bom amigo. Não é preciso também ter um milhão deles. Nã-nã-ni-nã-não !!!

Basta apenas que os amigos que se tem sejam verdadeiros a ponto de merecerem ser chamados assim. Não importa se são muitos, se são poucos. O importante é serem amigos que VALEM A PENA!!!