quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Os amigos invisíveis

Os amigos não precisam estar ao lado para justificar a lealdade. Mandar relatórios do que estão fazendo para mostrar preocupação.

Os amigos são para toda vida, ainda que não estejam conosco a vida inteira.

Temos o costume de confundir amizade com onipresença, e exigimos que as pessoas estejam sempre por perto, de plantão.

Amizade não é dependência, submissão. Não se tem amigos para concordar na íntegra, mas para revisar os rascunhos e duvidar da letra. É independência, é respeito, é pedir uma opinião que não seja igual, uma experiência diferente.

Se o amigo desaparece por semanas, imediatamente se conclui que ele ficou chateado por alguma coisa. Diante de ausências mais longas e severas, cobramos telefonemas e visitas. E já se está falando mal dele por falta de notícias. Logo dele que nunca fez nada de errado!

O que é mais importante: a proximidade física ou a afetiva? A proximidade física nem sempre é afetiva. Amigo pode ser um álibi ou cúmplice ou um bajulador ou um oportunista, ambicionando interesses que não o da simples troca e convívio.

Amigo mesmo demora a ser descoberto. É a permanência de seus conselhos e apoio que dirão de sua perenidade.

Amigo mesmo modifica a nossa história, chega a nos combater pela verdade e discernimento, supera condicionamentos e conluios. São capazes de brigar com a gente pelo nosso bem estar.

Assim como há os amigos imaginários da infância, há os amigos invisíveis na maturidade. Aqueles que não estão perto podem estar dentro. Tenho amigos que nunca mais vi, que nunca mais recebi novidades e os valorizo com o frescor de um encontro recente. Não vou mentir a eles, “vamos nos ligar?”, num esbarrão de rua. Muito menos dar desculpas esfarrapadas ao distanciamento.

Eles me ajudaram e não necessitam atualizar o cadastro para que sejam lembrados. Ou passar em casa todo final de semana ou me convidar para ser padrinho de casamento, dos filhos, dos netos, dos bisnetos. Caso os encontre, haverá a empatia da primeira vez, a empatia da última vez, a empatia incessante de identificação.

Amigos me salvaram da fossa, amigos me salvaram das drogas, amigos me salvaram da inveja, amigos me salvaram da precipitação, amigos me salvaram das brigas, amigos me salvaram de mim.

Os amigos são próprios de fases: da rua, do Ensino Fundamental, do Ensino Médio, da faculdade, do futebol, da poesia, do emprego, da dança, dos cursos de inglês, da capoeira, da academia. Significativos em cada etapa de formação. Não estão na nossa frente diariamente, mas estão em nossa personalidade, determinado, de forma perceptível, as nossas atitudes.

Quantas juras foram feitas em bares a amigos bêbados e trôpegos?

Amigo é o que fica depois da ressaca. É glicose no sangue ... a serenidade.

Fabrício Carpinejar

sábado, 17 de outubro de 2015

Travessia

No cinema, assistindo ao filme "A Travessia", meu menino tinha as mãos suadas. O filme, uma história real sobre o francês Philippe Petit, que na década de 70 atravessou de forma ilegal o vão entre as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, usando apenas um cabo e se equilibrando sobre ele, desacomoda e leva à transpiração as almas mais sensíveis. 

Assistindo ao longa, a sensação que fica é a do medo. Medo pelo que pode acontecer ao protagonista (mesmo sabendo que ele sobrevive), medo pelo que sentiríamos estando na pele dele, medo de altura, medo da morte.

Isso me fez recordar uma frase do escritor Mia Couto que diz: "Eu tive as minhas mortes. Felizmente, todas elas passageiras". E assim lembramos que a vida é composta de muitos lutos, a maioria deles reversíveis, e só isso deveria bastar para justificar nossa coragem, ou a capacidade de viver sem medo. 

Apesar de nos resguardar do perigo, o medo nos afasta da vida. Da vida e de suas inúmeras mortes. Da vida e de seus vários renascimentos. O equilibrista desafia o perigo com a certeza de que a morte está perto, mas não irá derrubá-lo. Já os que vacilam perante os desafios da própria existência constroem muros onde podem se refugiar, isolando-se de uma vida nova, muitas vezes melhor. 

Apesar de adorar montanha russa e de ter pulado de paraquedas há alguns anos, não me considero uma pessoa muito corajosa. Fui criada para desejar uma vida segura, longe do burburinho da corda bamba, recatada em meu mundinho particular. O hábito me fez almejar segurança. Na minha redoma, cultivo minhas leis. Não ouso virar a mesa nem levantar a voz. Não troco o certo pelo duvidoso, prefiro "um pássaro na mão do que dois voando", perdi um pouco da espontaneidade com a idade. Não é motivo para me gabar não. Queria ter uma dose a mais de coragem para me livrar das culpas que me atam as asas e seguir pela corda bamba que me chama. A corda bamba que todos nós possuímos e, quer queira, quer não, temos que atravessar.

Todos nós possuímos um cabo de aço por onde devemos nos equilibrar e fazer a travessia. Alguns veem lá de cima precipícios enormes, como o vão entre as torres gêmeas. Outros percebem que tiveram medo de cair de uma altura irrisória, que não passava de ilusão causada pelo medo de seguir adiante. Porém, a vida é para quem ousa colocar pé ante pé, devagar ou com pressa, acreditando firmemente que cair não é o fim, pois muitas vezes o chão está a um palmo de distância. 

Chegar ao fim, mesmo sentindo as pernas fraquejarem, nos dá a certeza de que a fé nos impulsiona a viver melhor. Ter a coragem de romper antigos nós, quebrar velhos tabus, experimentar novos ares e ousar fazer a travessia nos confronta com o amadurecimento, a única forma de crescer _ independente da idade que tivermos. 

Fazer a travessia é ter coragem de crescer. É experimentar o prazer que vem da descoberta de que vivemos constantes mortes, e que, com sorte, renascemos melhores e mais sábios. Que haja esperança, fé, inspiração divina. Que saibamos o momento de avançar e o de recuar. Que experimentemos cruzar a linha de chegada mais livres e com a consciência de que dando o primeiro passo já somos vencedores.

Fabíola Simões

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Transmutação ...

Fala pessoal belezinha?

Segue abaixo um texto tão perfeito que eu particularmente desejaria ter escrito cada palavra, mas todos os louros vão para Cecília Sfalsin. Como já disse aqui neste blog, 'talvez eu seja um pouco de tudo que já li' e pode ter certeza: este texto define meu momento atual.

Um conselho?! Delicie-se ...

MUDANÇAS

"Eu mudei em muita coisa, e não foi pelo tempo, nem pela idade, mas pelo coração, pelas vezes que ele se machucou, pelas vezes que ele confiou, pelas vezes que ele amou. 

A gente precisa se amar muito para não nos tornarmos dependentes de afetos alheios, porque é bem por ai que surgem os enganos, é bem por ai que surgem as decepções.

Quando transbordamos de amor pela gente, o que oferecemos ao outro não nos faz falta, porque a gente aprende o que é ter valor. 

Talvez você esteja naquele momento horrível da vida, que alguém te deixou sem razão alguma e o coração sangra pela falta e pelo desprezo que tem recebido. Não se culpe, pare de querer entender onde você errou, o que você fez, ou se o tempo voltasse atras você faria diferente. 

Pare de se torturar pelo que se foi, porque na verdade quem ama a gente não se vai, não nos deixa, e nem quer que a gente sofra, quem nos ama, por mais difícil que seja uma situação, vai tentar resolvê-la sem maltratar o nosso coração. 

Desculpe a sinceridade, mas é a verdade que sinto: quanto mais você for atrás, menos você significa. 

Eu acredito muito no novo de Deus, e por acreditar, vivo as esperas d'Ele, mesmo com as urgências que há em meu coração, mas não admito mais que ele sofra pelo que não vale a pena, e nem que se culpe pelo que não deu. 

Sai desta nostalgia e vai viver .... enquanto você esta ai se desfalecendo, o outro esta vivendo a vida, curtindo e se achando "super " bem sem você..."

Cecília Sfalsin

sábado, 12 de setembro de 2015

Viver ...

Impossível atravessar a vida ...

Sem que um trabalho saia mal feito, sem que uma amizade cause decepção, sem padecer com alguma doença, sem que um amor nos abandone, sem que ninguém da família morra, sem que a gente se engane em um negócio. 

Esse é o custo de viver! 

O importante não é o que acontece, mas ... como você reage. Você cresce quando não perde a esperança, nem diminui a vontade, nem perde a fé.

Mas, quando aceita a realidade e tem orgulho de vivê-la, quando aceita seu destino, mas tem garra para mudá-lo e quando aceita o que deixa para trás, construindo o que tem pela frente e planejando o que está por vir.

Cresce quando supera, se valoriza e sabe dar frutos, quando abre caminho, assimila experiências e semeia raízes ...

Cresce quando se impõe metas, sem se importar com comentários, quando é forte de caráter sustentado por sua formação, sensível por temperamento e humano por nascimento! 

Cresce ajudando a seus semelhantes, conhecendo a si mesmo e dando à vida mais do que recebe. 

E assim que se cresce ...

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O poder das palavras.

Fala pessoal, belezinha?!

É ... tudo muda, o tempo todo.

Plutão não é mais um planeta, Bill Gates não é o homem mais rico do mundo, David Karp não é mais o dono do Tumblr, Titanic não é o filme com mais arrecadações em bilheterias, locadoras desapareceram e foram substituídas por Netflix;

Ninguém mais manda sms, para isso tem whatsapp, Orkut deixou de existir e deu lugar ao facebook, os cantores, não necessitam mais tanto assim de gravadoras, para isso tem youtube; álbum de fotografias é coisa de avó, agora existe Instagram.

Mas, entre milhares de coisas que mudam no decorrer dos anos, existe uma delas que não muda; é o poder que tem as palavras ... o quão profundas e cortantes elas podem ser.

As palavras ainda são o que dão vida a vida. Tudo pode mudar, menos as palavras ... menos o que foi dito e escrito, pois isso fica gravado, se não for de quem as leu, são no coração de quem as ouviu, pois ainda somos de carne e osso, mesmo que a cada ano que se passa nos tornamos mais antissociais do que o comum.

A tecnologia tem nos 'engolido', mas ainda não fomos substituídos por maquinas; temos sentimentos, somos frágeis, somos humanos, e palavras ferem, marcam, palavras são os que nos dão vida e morte, palavras eternizam momentos, e exterminam também.

Se há algo que não temos o poder de mudar, é uma palavra dita ou escrita, mesmo que você substitua ou escreva algo diferente ... já foi dito, já foi escrito, já foi feito, e quem as leu ou as ouviu, ficarão marcados pelo leve ou grosseiro toque seu.

Por isso caro leitor, tenha sempre muito tato, além de muito cuidado, pois quando você toca alguém com suas palavras, você pode mudar também a vida de alguém ... seja positiva ou negativamente!