domingo, 5 de abril de 2015

O Tempo

O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções.

Faz, sim, todo o sentido. Na hora da saudade, da tristeza, do desamparo, é com ele que contamos ... o tempo!

Queremos dormir e acordar dez anos depois curados daquela ideia fixa que se instalou no peito, aquela obsessão por alguém que já partiu de nossas vidas.

No entanto, tudo o que nos invadiu com intensidade, tudo o que foi realmente verdadeiro e vivenciado profundamente não passa. Fica. Acomoda-se dentro da gente e de vez em quando cutuca, se mexe, nos faz lembrar da sua existência.

O grande segredo é não se estressar com este inquilino incômodo, deixá-lo em paz no quartinho dos fundos e abrir espaço na casa para outros acontecimentos.

Nossas atenções precisam ser redirecionadas. Ficar olhando antigas fotos, relendo antigas cartas ou lembrando antigas cenas é tirar a dor do quarto dos fundos e trazê-la para o meio da sala. 

Evite!

O tempo só será generoso na medida em que você usá-lo para fazer coisas mais produtivas: Procurar amigos sumidos, praticar um esporte, retomar um projeto adiado, viajar. As atenções têm que estar voltadas para os lados e para a frente.

O quartinho dos fundos tem que ficar fechado uns tempos, a dor mantida em cativeiro, sem ser alimentada. Amores passados contentam-se com migalhas e sobrevivem muito. Ajude-se, negando-lhes qualquer banquete. 

A fartura agora tem que ser de vida nova!

Martha Medeiros

domingo, 15 de março de 2015

Histórias Que a Vida Conta ...

Você pode até pensar que é o fim do mundo, mas não é. Você acha que a sua dor é a pior de todas as dores já existentes, mas está enganado.

Fácil é sofrer, passar dias trancado no quarto, chorar até que a última gota do seu corpo se esgote. 

Difícil é superar! E mais difícil ainda é se convencer de que superou. 

Fácil é acabar com a vida pra acabar com a dor, difícil mesmo é levantar todos os dias com um buraco no peito e colocar a roupa de existir.

Dizer que está bem é fácil, complicado é estar. Escutar aquela música, sentir aquele cheiro e visitar aquele lugar parecem ser coisas que ardem o fundo da alma, porque as lembranças doem como álcool em ferida aberta.

Mas a verdade é que não sentir mais nada dói bem mais.

O fim de um sentimento é mais triste do que o seu fim propriamente dito. É mais difícil enterrar histórias, momentos e sorrisos à enterrar-se. Enquanto ainda há uma faísca em meio ao fogo apagado, de certa forma também ainda há importância.

Sofrer por se importar é natural, estranho é sofrer por não fazer mais diferença alguma.

Continuar dentro de uma bolha de solidão e sofrimento é escolha sua, assim como lutar pra sair dela também. 

Fácil é olhar a vida passando e ficar estático no mesmo lugar, amargurado, desiludido, cabisbaixo. Difícil é assumir que está no fundo do poço e, sim, precisa de ajuda. 

Difícil é estufar o peito e não se deixar abalar por nada. Fácil é chorar pela cicatriz adquirida, difícil é aceitá-la como uma tatuagem interna que faz parte de você.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Constatações!

Fala pessoal, belezinha?

Eu também fico triste, atualmente com menor frequência, mas fico! Até porque não sou de ferro.

Às vezes choro a noite e no outro dia acordo com um sorriso no rosto. E tenho aquela mania clichê de sorrir fora de hora, mesmo não querendo. Sorrir amarelo só pra mostrar o quanto sou forte.

Também tenho vontade de sumir às vezes, ir pra bem longe. Você que lê estas linhas, pode ficar tranquilo ... esse sentimento vez por outra chega para todos e acredito ser algo comum à humanidade.

Infelizmente, eu também sinto o mesmo.

Tenho vontade de mandar todos sumirem da minha vida e não voltarem tão cedo, mas o fato é que se eu disser tudo o que está entalado na garganta, tudo o que doí dentro do peito, vou me arrepender amargamente depois.

Tenho vontade de cortar laços, desfazer amizades e me afastar, mas sei que vou sentir saudades mais cedo ou mais tarde.

Também tenho aquela imensa vontade de congelar o tempo, só pra não me entristecer mais ou chorar por coisas que estão lá no passado, mas não dá.

Tempo é uma coisa que a gente não pode controlar e muito menos administrar ao nosso bel prazer.

Tenho pavor da sensação de não viver tudo o que a vida tem para me proporcionar, de não amar corretamente, de não aprender o suficiente. Tenho medo de perceber que dei valor demais ao que na verdade não tinha valor algum.

Tenho aversão dos hipócritas, dos medrosos, das pessoas que só condenam e não conseguem ter um ato de compaixão, de graça pelo próximo errante, sabe? Tenho cisma do mais ou menos, dos indecisos, dos ingratos.

Em suma, tenho medo de mim mesmo e das conseqüências das minhas escolhas!

Por isso,já tive vontade de desistir, jogar tudo para o alto como se não existisse futuro, mas no outro dia acordo cedo, faço as mesmas coisas, converso com as mesmas pessoas e choro pelas mesmas tristezas e no final do dia me canso novamente.

Precisamos viver como se fôssemos de ferro, para que nenhuma pessoa ou circunstância nos abale de modo irreversível.

Que texto depressivo?! Você deve estar pensando ...

Mas relaxe! Ele contém o seu positivismo ou válvula de escape logo abaixo, pois muito embora tudo o que já foi dito seja verdade, precisamos encontrar um modo de lidar ou administrar as intempéries da vida. 

Faz-se necessário viver um dia de cada vez. Encontre um hobby ou dedique-se a algum tipo de esporte. Cuide de você, evolua, cresça, ame-se, valorize-se, baste-se!

Porque no final das contas, você nunca saberá a força que tem, até saber que sua última alternativa é ser - de fato - forte.

Eu acredito em você. E você, pensa o mesmo?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Fragilidades ...

Frágil — você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. 

Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal, de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. 

Escreverá: penso em você!

Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. 

Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos, começa a passar.

Caio Fernando Abreu

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Minha história!

Fala pessoal, belezinha?

A minha história se resume em todas as palavras que deixei por dizer. Os gritos que resolvi calar com medo que passassem despercebidos neste mundo que não pára para ouvir ninguém.

As cicatrizes que me cobrem o corpo e as que me queimam a alma. A minha história esconde-se nos entretantos. No que esteve quase, mas nunca chegou a ser.

Mesmo assim continuo seguindo em frente, mesmo entre os porquês, porque viver é ainda a coisa mais maravilhosa no mundo!