quarta-feira, 21 de maio de 2014

Recomeçar do zero

Você já quis ter uma borracha especial para apagar algo que fez, que aconteceu, algo que doeu tão fundo ou teve consequências tão graves que você daria tudo para voltar atrás e recomeçar?

Há muitos que dariam tudo na vida para recomeçar do zero, ter uma nova oportunidade para agir diferente, tomar outras decisões, fazer diferentes escolhas. E eu sei que muita gente já recomeçou uma nova vida, já deu uma volta importante que fez com que os caminhos mudassem de direção e isso sempre é possível.

Mas não é possível recomeçar do zero. Recomeçar do zero não existe! Não existe fingir que não houve um passado e não estar ligado a ele de alguma forma. Não existe zerar o coração, nem as emoções, mesmo se passássemos nosso tempo voltando os ponteiros do relógio.

A verdade é que se pudéssemos recomeçar do zero, numa amnésia existencial, cometeríamos erros novamente, choraríamos de novo ... porque não traríamos conosco essa carga de experiência que carregamos hoje, que às vezes até pesa, mas é nossa e isso não podemos negar, nem renunciar.

E é melhor assim: acreditar que tudo o que fizemos valeu de alguma forma. Erramos? Sim, e daí? Aquilo que reconhecemos como erro não faremos novamente e cada vez que tropeçamos e aprendemos com isso, colocamos algo mais na nossa bagagem da vida.

Lamentar por algo que não se teve? Que perda de tempo! As lamentações pelo que não fizemos não acrescentam nada na nossa vida. Precisamos viver de coisas concretas, do que realizamos, do que tivemos, mesmo se as perdemos. 

Quem nos julga deveria julgar-se primeiro.

Ninguém é de todo bom e de todo mau. Não existem pessoas melhores que as outras, apenas as que ainda querem aprender e as que já perderam a esperança. Quem não chora por fora, chora por dentro, a diferença é que nesse caso ninguém percebe.

É possível recomeçar a vida, com novas ambições, fazer do velho, o novo e com uma grande vantagem: dessa vez existirão os parâmetros de comparação, as chances serão maiores de tomar decisões acertadas.

Então, acredite: tudo o que você viveu até agora valeu a pena porque é dessa vivência que você tira seu aprendizado. Não importa a sua idade, você pode fazer sua vida diferente ainda, você pode olhar o mundo com olhos novos.

Deus não condena ninguém. São as pessoas mesmas que nos condenam quando cruzam os braços, imobilizam as pernas e colocam uma venda nos olhos.

A vida continua, mesmo se muitos desistem. E ela é muito mais rica para aqueles que abrem os braços ao futuro, dão as mãos ao passado e recomeçam. Essas pessoas jamais se sentirão sozinhas.

Letícia Thompson

terça-feira, 22 de abril de 2014

Utilidade

A utilidade é uma coisa muito cansativa. Você ter utilidade para alguém, é uma coisa muito cansativa. 

É interessante você saber fazer as coisas, mas acredito que a utilidade é um território muito perigoso porque, muitas vezes, a gente acha que o outro gosta da gente, mas não. 

Ele está interessado naquilo que a gente faz por ele. E é por isso que a velhice é esse tempo em que passa a utilidade e aí fica só o seu significado como pessoa. Eu acho que é um momento que a gente purifica, né? É o momento em que a gente vai ter a oportunidade de saber quem nos ama de verdade.

Porque só nos ama, só vai ficar até o fim, aquele que, depois da nossa utilidade, descobrir o nosso significado. 

Por isso eu sempre peço a Deus para poder envelhecer ao lado das pessoas que me amem. Aquelas pessoas que possam me proporcionar a tranqüilidade de ser inútil, mas ao mesmo tempo, sem perder o valor. 

Quero ter ao meu lado alguém que saiba acolher a minha inutilidade. Alguém que olhe pra mim assim, que possa saber que eu não servirei pra muita coisa, mas que continuarei tendo meu valor. 

Porque a vida é assim, fique esperto, viu? 

Se você quiser saber se o outro te ama de verdade é só identificar se ele seria capaz de tolerar a sua inutilidade.

Quer saber se você ama alguém? Pergunte a si mesmo: Quem nessa vida já pode ficar inútil pra você sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora? É assim que descobrimos o significado do amor. 

Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim. Por isso eu digo: feliz aquele que tem ao final da vida, a graça de ser olhado nos olhos e ouvir do outro: 

- "Você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você".

Fábio de Melo

domingo, 20 de abril de 2014

Rancor ...

Fala pessoal, belezinha?

Hoje fazem dois anos, sete meses, seis dias, dez horas, trinta minutos e alguns segundos que eu tenho guardado rancor. 

É fato que, por mais que eu saiba que este sentimento seja ruim e destrutivo, não tenho conseguido grandes avanços positivos neste quesito, pois tenho memória forte para certos assuntos; ainda mais quando estes envolvem falta de critério e empatia da parte de alguns. Doses de interesses particulares e o medo de lutar por algo justo, foram o tempero exato dos acontecimentos.

Eu quero me livrar deste rancor que vem ficando velho a cada ano. Durante todo esse tempo eu não soube como descansar este passado. Quero voltar a ser suave e resolvido, limpo como uma lousa e libertado deste sentimento.

Como uma casa abandonada, coberta de poeira e mobília ainda intacta ficou a minha vida anterior a estes fatos. Me pergunto: Se eu a visitar agora, voltando a fazer as coisas como antes ... teria realmente prazer em reviver isto simplesmente de maneira gratuita?

Não sei se valeria a pena o desgaste ... queria mesmo era estar pronto para derrubar esta carga que venho levando por mais tempo que eu deveria suportar, gostaria de esquecer ... mas por enquanto não dá!

sábado, 5 de abril de 2014

Fragmentando ...

Fala pessoal, belezinha?

Acabei mudando ... e muito! E foi mudança aos poucos, porque até hoje me dou conta de coisas minhas que já não estão mais lá e, quem roubou, eu jamais vou saber de fato. O sorriso mudou e a vontade de sorrir pra qualquer pessoa também. É incrível como tanta coisa acontece com a gente. Tanta pessoas passam por nossa vidas, mas poucas delas realmente ficam.

Eu sei que, talvez, eu tivesse que ficar triste. Talvez eu tivesse que continuar secando lágrimas, abraçando o vento e rindo no vácuo, mas o fato é que eu não consigo. Aprendi com os meus próprios erros que sofrer não torna nada mais poético, chorar não nos deixa tão aliviados e implorar não resolve nada.

Só espero que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio, que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca, porque metade de mim é o que eu grito mas a outra metade é silêncio.

domingo, 23 de março de 2014

Aprendizado


Tenho aprendido, durante a queda...

Que a gente percebe à altura em que estávamos. Até mesmo o tamanho da expectativa que criamos fica evidente durante a queda.

E é de cara no chão que aprendemos a não fazer de novo. Ou ao menos não 'subir' tão alto.

Aprendemos a ter medo de altura, talvez.

Aprendemos a ter sempre um dos pés no chão! Ou os dois ... ou simplesmente gostar mais da terra firme. 

Do concreto.
Thalita Souza

domingo, 16 de março de 2014

Sensibilidade ...

Ser sensível nesse mundo requer muita coragem ... muita!

Todo dia. Esse jeito de ouvir além dos olhos, de ver além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio tão clara no próprio coração e tantas vezes até doer ou sorrir junto com toda sinceridade. 

Essa sensação, de vez em quando, de ser estrangeiro e não saber falar o idioma local, de ser meio ET, uma espécie de sobrevivente de uma civilização extinta.

Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada. Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza.

Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada. Esse melindre de ferir por saber, com nitidez, como dói se sentir ferido.

Ana Jácomo