domingo, 20 de abril de 2014

Rancor ...

Fala pessoal, belezinha?

Hoje fazem dois anos, sete meses, seis dias, dez horas, trinta minutos e alguns segundos que eu tenho guardado rancor. 

É fato que, por mais que eu saiba que este sentimento seja ruim e destrutivo, não tenho conseguido grandes avanços positivos neste quesito, pois tenho memória forte para certos assuntos; ainda mais quando estes envolvem falta de critério e empatia da parte de alguns. Doses de interesses particulares e o medo de lutar por algo justo, foram o tempero exato dos acontecimentos.

Eu quero me livrar deste rancor que vem ficando velho a cada ano. Durante todo esse tempo eu não soube como descansar este passado. Quero voltar a ser suave e resolvido, limpo como uma lousa e libertado deste sentimento.

Como uma casa abandonada, coberta de poeira e mobília ainda intacta ficou a minha vida anterior a estes fatos. Me pergunto: Se eu a visitar agora, voltando a fazer as coisas como antes ... teria realmente prazer em reviver isto simplesmente de maneira gratuita?

Não sei se valeria a pena o desgaste ... queria mesmo era estar pronto para derrubar esta carga que venho levando por mais tempo que eu deveria suportar, gostaria de esquecer ... mas por enquanto não dá!

sábado, 5 de abril de 2014

Fragmentando ...

Fala pessoal, belezinha?

Acabei mudando ... e muito! E foi mudança aos poucos, porque até hoje me dou conta de coisas minhas que já não estão mais lá e, quem roubou, eu jamais vou saber de fato. O sorriso mudou e a vontade de sorrir pra qualquer pessoa também. É incrível como tanta coisa acontece com a gente. Tanta pessoas passam por nossa vidas, mas poucas delas realmente ficam.

Eu sei que, talvez, eu tivesse que ficar triste. Talvez eu tivesse que continuar secando lágrimas, abraçando o vento e rindo no vácuo, mas o fato é que eu não consigo. Aprendi com os meus próprios erros que sofrer não torna nada mais poético, chorar não nos deixa tão aliviados e implorar não resolve nada.

Só espero que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio, que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca, porque metade de mim é o que eu grito mas a outra metade é silêncio.

domingo, 23 de março de 2014

Aprendizado


Tenho aprendido, durante a queda...

Que a gente percebe à altura em que estávamos. Até mesmo o tamanho da expectativa que criamos fica evidente durante a queda.

E é de cara no chão que aprendemos a não fazer de novo. Ou ao menos não 'subir' tão alto.

Aprendemos a ter medo de altura, talvez.

Aprendemos a ter sempre um dos pés no chão! Ou os dois ... ou simplesmente gostar mais da terra firme. 

Do concreto.
Thalita Souza

domingo, 16 de março de 2014

Sensibilidade ...

Ser sensível nesse mundo requer muita coragem ... muita!

Todo dia. Esse jeito de ouvir além dos olhos, de ver além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio tão clara no próprio coração e tantas vezes até doer ou sorrir junto com toda sinceridade. 

Essa sensação, de vez em quando, de ser estrangeiro e não saber falar o idioma local, de ser meio ET, uma espécie de sobrevivente de uma civilização extinta.

Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada. Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza.

Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada. Esse melindre de ferir por saber, com nitidez, como dói se sentir ferido.

Ana Jácomo

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Sentimentos ...

Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? 

Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.

Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.

A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.

Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.

“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down...” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal.

Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. 

Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. 

Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar.

Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.
Martha Medeiros

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Simples assim!

"Eu gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam, de toques que sabem conversar e de silêncios que se declaram."